Uma paisagem não exige sua “compreensão”, suas imputações de significado, suas angústias e suas simpatias; ao contrário, requer a ausência, solicita que ele não acrescente nada a isso. A contemplação, do ponto de vista estrito, acarreta o auto-esquecimento por parte do espectador: um objeto digno de contemplação é aquele que, com efeito, elimina o sujeito que a percebe.

[…]

Plenitude — experimentar todo o espaço como preenchido, de forma que as idéias possam entrar — significa impenetrabilidade. Um indivíduo que permanece silencioso torna-se opaco ao outro; o silêncio de alguém inaugura uma série de possibilidades de interpretação desse silêncio, de imputação de discurso a ele.

– Sontag, A vontade radical, Estética do silêncio, pág. 23-4

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