"Cremos que o sentido vai morrer, mas é uma morte prorrogada: o sentido perde seu valor, mas conserva a vida, que vai alimentar a forma do mito. O sentido passa a ser para a forma como que uma reserva instantânea da história, como uma riqueza submissa, que é possível aproximar e afastar numa espécie de rápida alternância: é necessário que a cada momento a forma possa reencontrar raízes no sentido e aí se alimentar; e, sobretudo, é necessário que ela possa se esconder dele."
"Sabemos doravante, que o mito é uma fala definida pela sua intenção (sou um exemplo de gramática), muito mais do que pela sua literalidade (eu me chamo leão); e que, no entanto, a intenção está de algum modo petrificada, purificada, eternizada, tornada ausente pela literaridade."
"O que é seguro já não monopoliza o imaginário do público. As anomalias não são mais uma área reservada, de difícil acesso. Pessoas bizarras, em condição sexual vergonhosa, emocionalmente vazias, são vistas todos os dias nas bancas de jornal, na televisão, nos metrôs. O homem hobbesiano vaga pelas ruas, perfeitamente visível, com gel no cabelo."
"Há algo de estranho nos atos de escrever e falar”, dizia Novallis em 1799. “O equívoco ridículo e divertido que cometem as pessoas é o de acreditar que empregam as palavras em relação com as coisas. Elas não tem consciência da natureza da linguagem — que é ser a sua própria e única preocupação, o que faz dela um mistério tão fértil e esplêndido. Quando alguém fala somente por amor à fala, está dizendo a coisa mais original e verdadeira que pode dizer."