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jacques henri lartigue

jacques henri lartigue

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[…] atente-se ao caso dos que esperam, alternativamente, ora uma vida futura incompreensível quando pensam, maridos inconsoláveis, na mulher que perderam e que continuam querendo, ou artistas, na glória vindoura que poderão alcançar, ora em um nada tranquilizador, se, pelo contrário, consideram os pecados que, sem ele, terão de expiar depois de mortos; atente-se também a esses turistas que se exaltam ante a beleza de uma viagem apreciada em conjunto, embora os aborrecesse dia a dia, e diga-se depois se na vida comum que levam as idéias no seio de nossa alma haverá uma única das que nos fazem felizes que não tenha ido antes, verdadeira parasita, pedir à vizinha a melhor parte da força que lhe faltava?
– Proust. À sombra das raparigas em flor, p. 78
Esse mistério, essa força que trabalha subterrânea na fotografia, além (“por trás”) das aparências e que é a mesma que funda o desejo, é a força pragmática da ontologia indiciária, é o que Barthes chamava de “extensão metonímica do puntum”, que torna a presença física do objeto ou do ser única até na imagem. Presença afirmando ausência. Ausência afirmando presença. Distância ao mesmo tempo colocada e abolida e que constitui o próprio desejo: o milagre.
– Dubois. A ato fotográfico, pág. 81
Em suma, não é uma aposta menor dessa lógica do índice colocar radicalmente a imagem fotográfica como impensável fora do próprio ato que a faz ser, quer este passe pelo receptor, pelo produtor, quer pelo referente da imagem. Espécie de imagem-ato absoluta, inseparável de sua situação referencial, a fotografia afirma por aí sua natureza fundamentalmente pragmática: encontra seu sentido, em primeiro lugar, em sua referência.
– Dubois, O ato fotógrafico, pág. 79
Jamais deve buscar a coisa em si, a qual depende somente dos espelhos.
A coisa em si, nunca: a coisa em ti.
Um pintor, por exemplo, não pinta uma árvore: ele pinta-se uma árvore.
E um grande poeta - espécie de rei Midas à sua maneira - um grande poeta, bem que ele poderia dizer:
Tudo que eu toco se transforma em mim.
– Mario Quintana
Ser – diz Heidegger – é ser-no-mundo. Compreenda-se esse “ser em” no sentido de movimento. Ser é estourar no mundo, é partir dum nada de mundo e de consciência para subitamente se-estourar-consciência-no-mundo. Se a consciência tenta recuperar-se, se tenta coincidir enfim com ela própria, a quente, com as janelas fechadas, aniquila-se. A esta necessidade, que tem a consciência de existir como consciência de outra coisa diferente dela, chama Husserl “intencionalidade”.
(…)
Libertos ao mesmo tempo da “vida interior”; em vão procuraríamos como Amiel, como uma criança a quem se beija o ombro, as carícias, os carinhos da nossa intimidade, porque, no fim de contas, tudo está fora, tudo, até nós próprios: fora, no mundo, entre os outros. Não é em nenhum refúgio que nos descobriremos: é na rua, na cidade, no meio da multidão, coisa entre as coisas, homem entre os homens.
– Sartre
grifeinumlivro:

Poema “A Vida na Hora”. Wislawa Szymborska [poemas] (via @johnnypeter)

grifeinumlivro:

Poema “A Vida na Hora”. Wislawa Szymborska [poemas]
(via @johnnypeter)

E aqui eu gostaria de ser capaz de lhe contar a metade das coisas que Alice costumava dizer a partir da sua expressão favorita: “vamos fazer de conta”. Ela tivera uma discussão bastante longa com a irmã na véspera, tudo porque começara com “Vamos fazer de conta que somos reis e rainhas”; e a irmã, que gostava de ser muito precisa, retrucara que isso não era possível porque eram só duas, até que Alice se vira forçada a dizer: “Bem, você pode ser só um deles, eu serei todos os outros.
Através do espelho e o que Alice encontrou por lá. Lewis Carroll
"[…] atente-se ao caso dos que esperam, alternativamente, ora uma vida futura incompreensível quando pensam, maridos inconsoláveis, na mulher que perderam e que continuam querendo, ou artistas, na glória vindoura que poderão alcançar, ora em um nada tranquilizador, se, pelo contrário, consideram os pecados que, sem ele, terão de expiar depois de mortos; atente-se também a esses turistas que se exaltam ante a beleza de uma viagem apreciada em conjunto, embora os aborrecesse dia a dia, e diga-se depois se na vida comum que levam as idéias no seio de nossa alma haverá uma única das que nos fazem felizes que não tenha ido antes, verdadeira parasita, pedir à vizinha a melhor parte da força que lhe faltava?"
"Esse mistério, essa força que trabalha subterrânea na fotografia, além (“por trás”) das aparências e que é a mesma que funda o desejo, é a força pragmática da ontologia indiciária, é o que Barthes chamava de “extensão metonímica do puntum”, que torna a presença física do objeto ou do ser única até na imagem. Presença afirmando ausência. Ausência afirmando presença. Distância ao mesmo tempo colocada e abolida e que constitui o próprio desejo: o milagre."
"Em suma, não é uma aposta menor dessa lógica do índice colocar radicalmente a imagem fotográfica como impensável fora do próprio ato que a faz ser, quer este passe pelo receptor, pelo produtor, quer pelo referente da imagem. Espécie de imagem-ato absoluta, inseparável de sua situação referencial, a fotografia afirma por aí sua natureza fundamentalmente pragmática: encontra seu sentido, em primeiro lugar, em sua referência."
"Jamais deve buscar a coisa em si, a qual depende somente dos espelhos.
A coisa em si, nunca: a coisa em ti.
Um pintor, por exemplo, não pinta uma árvore: ele pinta-se uma árvore.
E um grande poeta - espécie de rei Midas à sua maneira - um grande poeta, bem que ele poderia dizer:
Tudo que eu toco se transforma em mim."
"Ser – diz Heidegger – é ser-no-mundo. Compreenda-se esse “ser em” no sentido de movimento. Ser é estourar no mundo, é partir dum nada de mundo e de consciência para subitamente se-estourar-consciência-no-mundo. Se a consciência tenta recuperar-se, se tenta coincidir enfim com ela própria, a quente, com as janelas fechadas, aniquila-se. A esta necessidade, que tem a consciência de existir como consciência de outra coisa diferente dela, chama Husserl “intencionalidade”.
(…)
Libertos ao mesmo tempo da “vida interior”; em vão procuraríamos como Amiel, como uma criança a quem se beija o ombro, as carícias, os carinhos da nossa intimidade, porque, no fim de contas, tudo está fora, tudo, até nós próprios: fora, no mundo, entre os outros. Não é em nenhum refúgio que nos descobriremos: é na rua, na cidade, no meio da multidão, coisa entre as coisas, homem entre os homens."
"E aqui eu gostaria de ser capaz de lhe contar a metade das coisas que Alice costumava dizer a partir da sua expressão favorita: “vamos fazer de conta”. Ela tivera uma discussão bastante longa com a irmã na véspera, tudo porque começara com “Vamos fazer de conta que somos reis e rainhas”; e a irmã, que gostava de ser muito precisa, retrucara que isso não era possível porque eram só duas, até que Alice se vira forçada a dizer: “Bem, você pode ser só um deles, eu serei todos os outros."

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